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Do Jb On line, Carolina Bellei
Depois de 25 anos de abandono, o Hotel das Paineiras, ao lado do Cristo Redentor, terá que superar o conflito de interesses para ser reaberto. De um lado, o Parque Nacional da Tijuca propõe que o local, inaugurado há mais de 100 anos, abrigue salas de convenções, um centro de conscientização ambiental, até 12 quartos para hospedagem, e ainda uma sede da instituição. Do outro, o secretário municipal de Turismo, Rubem Medina, defende a função hoteleira do imóvel, que pode ter até 90 quartos.
Há quatro meses, o imóvel voltou a ser de domínio da União, mas até agora não foi decidido o que será feito com o antigo hotel. Independente do futuro do imóvel, Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira, ressalta que é necessário fazer um projeto para tornar toda a área viável.
– Seria muito bom ter o hotel funcionando novamente. É importante o resgate histórico. Além disso, um hotel sempre melhora o entorno e todos se beneficiam. Mas isso não é o bastante. Se não vão abrir e fechar – alerta Alfredo. – A pergunta é: temos transporte e segurança na área? Tem que ser um projeto integrado, com a recuperação e um complexo de convenções atrelados. Aí seria viável. Não adianta agir pelo impulso.
Atualmente, além do Trem do Corcovado, uma van leva os turistas ao Cristo Redentor. As vagas para automóveis são poucas no local e não são suficientes, principalmente nos fins de semana, onde o movimento é maior. A segurança também deixa a desejar. Há quase um mês, três turistas chineses e o conselheiro da Embaixada do Vietnã no Brasil, Vu Thanh Nam, foram sequestrados quando iam visitar o Corcovado. Até as estátuas que enfeitam o Jardim de Todos Os Santos, no caminho para o principal ponto turístico da cidade, foram vítimas de vândalos.
Carência de hotéis no Rio
Para Medina, quando se cria um pólo, os outros problemas começam a ser resolvidos, e a carência de hotéis não pode ser ignorada, principalmente nesse momento.
– É uma época importante. Não podemos esquecer que além de sediar a Copa de 2014, o Rio está na briga para as Olimpíadas de 2016 – lembra Medina.
Ricardo Calmon, chefe do Parque Nacional da Tijuca admitiu ontem, durante conferência que traçou diretrizes para uso do complexo do Hotel das Paineiras, que ficou balançado com as propostas turísticas para o local, mas defende outros planos para a área.
– Acho que é algo que deve ser pensado, mas são apenas 90 quartos que não vão resolver o problema de hospedagem para abrigar grandes eventos – alega Calmon, que sugere que os 12 quartos do projeto que defende sejam para atender a palestrantes.
Para Alex Herzog, diretor da Associação Amigos do Parque da Tijuca, que organizou o evento para traçar diretrizes para o complexo das Paineiras, o principal é levantar a discussão e só depois decidir o futuro da construção.
– Queremos entender qual a necessidade da área. As pessoas confundem talento com vocação. A pergunta é se 25 anos depois, o prédio ainda tem vocação para isso? – aponta Herzog, exemplificando: – A inclusão do Corcovado como uma das sete maravilhas do mundo moderno gerou uma carga de turistas muito grande.
Apenas a reforma do antigo hotel está orçada em R$ 20 milhões, de acordo com o diretor do Trem do Corcovado, Sávio Neves. E segundo ele, seriam necessários 36 meses para a conclusão das obras.
Há mais de um mês, quando foi anunciada a reintegração do imóvel à União, o Ibama anunciou que o projeto para era transformar em centro de educação ambiental e conscientização ecológica, em substituição aos antigos e distantes conforto e luxo do século 20.
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